Traqueomalácia

Traqueomalácia - Vivendo com laringomalácia     A traqueomalácia é um colapso da via aérea. Durante a expiração, a traqueia se estreita e isso dificulta a passagem do ar. Pode causar ruído e/ou tosse. Também pode resultar em doenças respiratórias recorrentes (ou mesmo dificultar a recuperação desses quadros). Ela pode ocorrer de várias maneiras diferentes. Algumas crianças terão formas leves. Para casos graves, pode ser necessária alguma intervenção para que a criança respire adequadamente.

SINTOMAS: Existem muitos tipos de traqueomalácia, alguns sintomas comuns são:

- Respiração ruidosa / estridor
- Infecções frequentes nas vias respiratórias como bronquite ou pneumonia (muitas vezes a criança não consegue tossir de forma eficaz ou mesmo "limpar" os pulmões)
- Tosse (alta) frequente
- Intolerância ao exercício
- Infecções respiratórias prolongadas

Sinais de gravidade podem incluir:
- Engasgos durante a alimentação
- Pausas na respiração, principalmente quando chora ou durante uma atividade cansativa
- Cianose (a criança parece azul porque não está recebendo oxigênio suficiente)

CAUSA: A traqueia normalmente é sustentada por uma série de anéis em forma de "C" constituídos por uma cartilagem que ajuda as vias aéreas a permanecerem abertas durante a expiração. A forma mais comum de traqueomalácia ocorre quando os anéis são largos e têm a forma de uma letra “U”, fazendo com que a membrana na parte de trás da via aérea interfira na respiração e restrinja o fluxo de ar.

Muitas vezes é afirmado de forma equivocada que a condição ocorre quando a cartilagem ao redor da traqueia não é forte o suficiente para suportá-la. Embora essa teoria tenha sido ensinada há muito tempo, pesquisas mais recentes e a experiência que se tem no Boston Children Hospital, mostram que essa é uma causa incomum. 

Outros tipos de traqueomalácia que ocorrem na parte inferior da traqueia ou brônquios (vias aéreas ramificadas) são conhecidas como broncomalácia. Podem ser causadas também por um cisto (massa) no peito ou nas próprias vias aéreas. 

Quase todos os bebês com atresia de esôfago apresentam algum grau de traqueomalácia. Mas as vezes a traqueomalácia poderá ocorrer sozinha, sem outra condição associada.

A traqueomalácia pode ser congênita (presente ao nascimento) ou adquirida posteriormente. Na forma adquirida, também conhecida como traqueomalácia secundária, pode ser causada por:

- Tratamento prévio para atresia esofágica ou outra condição médica 
- Anomalias cardíacas, como anéis vasculares
- Outras estruturas internas ou massas que empurram a traqueia (fazendo com que ela se estreite)
- Infecções recorrentes
- Tubos de traqueostomia

TIPOS:

 

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Intrusão Posterior (mais comum): as cartilagens ao invés de formato de "C", tem formato de "U" ou formato de "arco". As cartilagens são fortes mas membrana atras é muito flexível. Então, na expiração, essa membrana vai pra frente. 

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Colapso anterior:um vaso sanguíneo pressiona a traqueia. Então a via aérea fica bem menor na inspiração e ainda mais estreita na expiração. 

 

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Compressão vascular (mais raro): está associado a doença cardíaca. Nesse caso as estruturas não se desenvolveram corretamente. Os vasos sanguíneos (alterados) apertam a traqueia e deixam a via aérea com a metade ou mesmo com um terço do tamanho. 

 

DIAGNÓSTICO: A traqueomalácia é freqüentemente não reconhecida ou diagnosticada incorretamente como asma, crupe (laringotraqueobronquite) ou, simplesmente, respiração ruidosa. 

 

Embora essa condição possa melhorar sozinha, algumas crianças não superam formas mais graves de traqueomalácia. Em vez disso, elas se adaptam e acabam convivendo com o desconforto e as complicações.
 

O primeiro passo no tratamento é formar um diagnóstico preciso e completo. Às vezes, uma criança é diagnosticada incorretamente com asma grave quando realmente tem traqueomalácia. Esta é uma das razões pelas quais é muito importante que o médico tenha experiência em diagnosticar e tratar essa condição.

 

Existem várias maneiras de diagnosticar a traqueomalácia. Podemos citar:

- Broncoscopia dinâmica trifásica: durante esse procedimento, o médico usa um instrumento fino chamado broncoscópio para examinar as vias aéreas da criança em três situações diferentes (durante a respiração superficial, durante tosse vigorosa e quando as vias aéreas estiverem distendidas com água).

 

Tomografia computadorizada dinâmica das vias aéreas: é um exame não invasivo que usa equipamentos de raios X e computadores para criar imagens detalhadas e transversais do nosso corpo.

TRATAMENTO: O bebê deve ser monitorado de perto por uma equipe de atendimento multidisciplinar e poderá se beneficiar de:


- Ar umidificado
- Fisioterapia respiratória
- Dispositivo de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP)
- Acompanhamento da função pulmonar


Se, apesar do tratamento clínico máximo, não se obtiver melhora, a cirurgia pode ser necessária. Muitas famílias (e até mesmo alguns profissionais de saúde) não sabem que existem tratamentos cirúrgicos para as formas graves de traqueomalácia. Os tratamentos dependem do tipo e da localização da traqueomalácia. Ele será personalizado para cada paciente. 


Obs: Alguns desses procedimentos foram desenvolvidos no Boston Children's Hospital e podem ainda não estar disponíveis em outros locais.

Opções cirúrgicas incluem:

 

  • Aortopexia: procedimento seguro e confiável que fornece alívio imediato e permanente para alguns tipos de traqueomalácia grave. Esta cirurgia expande a traqueia move a aorta (o principal vaso sanguíneo do corpo) para cima e a fixa na parte de trás do esterno.
  • Traqueopexia: semelhante a uma aortopexia, esse procedimento expande e daásuporte a vias aérea suspendendo a frente da parede traqueal na parte de trás do esterno. Às vezes o timo é removido para criar mais espaço entre a aorta e o esterno.
  • Broncopexia: este procedimento pode melhorar o fluxo de ar no colapso que envolve as vias aéreas brônquicas.
  • Aortopexia posterior: em algumas situações, a aorta comprime a parte de trás da via aérea. Nesses casos, mover a aorta para trás (fixando-a na coluna vertebral) poderá eliminar a pressão na traqueia e melhorar o fluxo de ar.
  • Traqueopexia posterior: esse procedimento foi desenvolvido no Boston Children's Hospital. É feito o apoio da parede posterior flexível da traqueia contra a coluna vertebral. Pode ser muito mais eficaz do que as outras opções (tanto de forma isolada quanto quando usado em combinação com os outros procedimentos).
  • Ressecção do divertículo traqueal: após a atresia esofágica com o reparo da fístula traqueoesofágica, geralmente permanece uma bolsa ou divertículo que pode reter secreções e colapsar a via aérea. Existem técnicas para ressecar completamente (remover) essas lesões tornando as vias aéreas praticamente normais.
  • Procedimentos combinados: Podem existir mais de uma alteração nas vias aéreas, esôfago ou ambos. Usando uma variedade de técnicas, os médicos podem corrigir essas questões num único procedimento. Ele poderá incluir: 
    - Traqueopexia / Traqueopexia posterior
    - Traqueoplastia com deslizamento (uma técnica para tornar as vias aéreas maiores)
    - Esofagolplastia rotacional (uma técnica para girar o esôfago para longe da traqueia, para minimizar as chances de recorrência de uma fístula traqueoesofágica
    - Aortopexia / Aortopexia posterior

Stent - Vivendo com Laringomalácia

 

 

Colocação de stent: o médico também pode optar por colocar temporariamente um stent na traqueia. Este tubo estreito mantém a traquéia aberta e estimula os tecidos a crescer em torno dela. Stents geralmente são evitados em favor de outras opções cirúrgicas. 

Fonte: Boston Children´s Hospital -  http://www.bostonchildrens.org